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"Resta-nos, quem sabe,
a árvore de alguma colina, que podemos rever
cada dia; resta-nos a rua de ontem
e o apego cotidiano de algum hábito
que se afeiçoou a nós e permaneceu."

Primeira Elegia de Duíno - Rainer Maria Rilke

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 "24 DE ABRIL DE 1905 Neste mundo, existem dois tempos. Existe o tempo mecânico e o tempo corporal. O primeiro é tão rígido e metálico quanto um imenso pêndulo de ferro que balança para lá e para cá, para lá e para cá, para lá e para cá. O segundo se contorce e remexe como uma enchova na baía. O primeiro não se desvia, é predeterminado. O segundo toma decisões à medida que avança. Muitos não acreditam que o tempo mecânico exista. Quando passam diante do grande relógio na Kramgasse, não vêem; tampouco escutam suas badaladas quando estão despachando pacotes na Postgasse ou caminhando entre flores na Rosengarten. Usam relógios de pulso mas apenas como ornamentos ou como cortesia para com aqueles que acreditam ser instrumentos de medição de tempo um bom presente. Em suas casas eles não têm relógios. No lugar deles, ouvem a batida dos seus corações. Eles sentem os ritmos de seus humores e desejos. Essas pessoas comem quando sentem fome, vão para o trabalho, na chapelaria ou no l...